Entrevista: Roberto Ailton Esteves de Oliveira

robertoNascido em Machacalis/MG, em 06/09/1959, Roberto Ailton Esteves de Oliveira formou-se em Direito em 1995, pela UVV, quando começou a advogar, ainda trabalhando na Caixa Econômica Federal, donde saiu em 2000. Desde então, dedica-se à advocacia na perspectiva sócio espiritual (www.direitosocial.com.br). Atualmente é presidente da AJE-ES (www.ajees.org.br), coordena o Conselho Deliberativo da AJE-Brasil (www.ajebrasil.org.br), preside o Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa, no Estado do Espírito Santo – CEDDIPI-ES, e é diretor administrativo do Grupo Espírita Aprendizes do Evangelho – GEAE (www.geae-es.org.br)


Crítica Espírita- Roberto, você participou do início do movimento jurídico espírita no Espírito Santo e no Brasil. Conte um pouco sobre a história desse movimento.

Roberto Ailton- Quando comecei a participar da diretoria da FEEES, por volta de 1996, quando do primeiro mandato da presidência do Dr. Marcelo Paes Barreto, que também fora meu professor na UVV e um incentivador da minha adesão ao Espiritismo, começamos a conversar sobre a possibilidades de fundarmos uma associação de juristas espíritas. Tivemos, também, nessas discussões iniciais, a participação de José Carlos Fiorido, João Batista Braga Dias, Mary Gomes, Maria Eugênia, Antenor Costa Filho, dentre outros. O Dr. Marcelo começou a envolver outras pessoas nessa discussão, também, nas reuniões da Federação Espírita Brasileira – FEB –, especialmente com o Dr. Weimar Muniz de Oliveira, juiz de direito e, então, presidente da Federação Espírita de Goiás, que ensejou a criação da ABRAME – Associação Brasileira de Magistrados Espíritas, em 1999, antes mesmo da AJE. Essa semente jurídico espírita também foi acolhida pelo companheiro Marcos Vinícius, no Rio Grande do Sul, que também ensejou a constituição da AJE-RS, vindo depois a constituição da AJE-ES, AJE-SP, AJE-RJ, quando, então começamos a discutir a constituição da AJE-Brasil, que integra, atualmente, o Conselho Nacional das Entidades Espíritas Especializadas da FEB, consolidando, assim, a integração ao Movimento Espírita Federativo, com a missão de prestar serviços de assessoria técnica, subsidiando a compreensão científica e filosófica da Doutrina Espírita.

Crítica Espírita –  O que é a AJE-ES, e quais são seus objetivos e desafios?

Roberto Ailton- A Associação Jurídico Espírita do Espírito Santo é uma organização da sociedade civil, de caráter científico, cultural e beneficente, com objetivo de participar da administração da justiça, compreendido o seu exercício como o estudo, a difusão e a prática da Lei de Justiça, Amor e Caridade. Em meu entendimento, dentre os principais desafios da AJE-ES e do movimento jurídico espírita, destacamos, inicialmente a sua aceitação pelos trabalhadores e dirigentes espíritas, em razão da sua especificidade científica e filosófica, o que torna esse movimento de entidades espíritas especializadas, em razão da sua especificidade, excludente de outros trabalhadores espíritas sem afinidades com alguma dessas áreas científicas. O que não significa que estarão excluídos dos benefícios, frutos das Atividades dessas entidades especializadas, como por exemplo, uma análise Espírita no enfrentamento de problemas sociais como os causados pelas drogas e outras diversas formas de violações à dignidade da Pessoa Humana.

Crítica Espírita- O que é um jurista espírita?

Roberto Ailton- Ainda estamos discutindo a personalidade do jurista espírita. Eu entendo o jurista espírita, como sendo o profissional ou operador do direito que já incorporou às suas atividades cotidianas a conduta espírita, que já pauta as suas atitudes pela Lei de Justiça, Amor e Caridade, ainda que de forma limitada pelas imperfeições características dos espíritos imperfeitos, como definidos na escala espírita em O livro dos Espíritos.

Crítica Espírita- Você também dá cursos sobre gerenciamento do centro espírita e de voluntariado. O que o senhor destacaria como sendo os problemas mais rotineiros do movimento espírita onde o senhor já atuou? E, na sua visão, quais seriam as soluções?

Roberto Ailton- Em nossas atividades junto ao movimento espírita, com a visão de profissional do direito e, ainda, com a experiência em gerenciamento, adquirida com o tempo em que trabalhei na Caixa Econômica Federal por cerca de vinte anos, onde aprendi a ter foco em resultados, observo que os trabalhadores espíritas são homens e mulheres de boa vontade, mas sem as qualificações necessárias ao que propõe o Espírito de Verdade, em o prefácio de O Evangelho Segundo o Espiritismo: Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos. Entendo que para “iluminar os caminhos” são necessários instrumento e ferramentas de gestão. Por essas razões nos propomos a realizar capacitações para os trabalhadores e dirigentes espíritas, como temos feito para outras organizações da sociedade civil, subsidiando-as com orientações jurídico-administrativas, com o fim de prevenir uma série de problemas que acabam por responsabilizar os gestores, inclusive judicialmente, gerando uma série de transtornos que podem ser evitados.

Crítica Espírita- O senhor é organizador e debatedor do 1º Encontro Jurídico Espírita do ES. Qual sua expectativa sobre o evento?

Roberto Ailton- É com grande alegria que estamos participando da organização do I EJE-ES, com o tema “Novas Estruturas Econômicas, Sociais e Educacionais”. Entendo que esse I EJE-ES é resultado dos estudos doutrinários jurídico espíritas, desenvolvidos ao longo de vários anos na AJE, e no GEEU – Grupo de Estudos Espíritas Universitário. No entanto, compreendemos, também, tendo como eixo a vida futura, “como a meta a que a Humanidade irá ter e como devendo constituir objeto das maiores preocupações do homem na Terra” (capítulo II de O Evangelho Segundo o Espiritismo), que o I EJE-ES produzirá propostas inovadoras que, se absorvidas pelas nossas organizações sociais e empresariais, governamentais ou não governamentais, ensejarão a iluminação dos caminhos para a Nova Era, a Era da Regeneração

Entrevista publicada na edição de Abril de 2015, Ano I, Vol, IV.

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